Dia desses li uma das melhores entrevistas sobre moda como “produto de massa” (para bom entendedor = FAST FASHION). Para chegar ao coração da provavelmente mais amada das lojas, a jornalista Anne-Celine Jaeger perguntou tudo o que sempre quisemos saber a suíça Margareta Van Den Bosch. Há exatos 23 anos na H&M, a fofa foi designer chefe entre 1987-2008 e atualmente é a consultora criativa. O job? Fechar novas parcerias (a próxima é com a Lanvin) com designers consagrados e tentar, dia após dia, criar uma moda acessível e atual.

Margareta e Tamara Mellon, presidente da Jimmy Choo. Bela parceria!
Para tentar deixar vocês TÃO surpresos quanto eu, irei mostrar como funciona o processo criativo da marca e mais curiosidades. Alguém sabia, por exemplo, que atualmente a H&M tem cerca de 1.500 lojas em quase 30 países?

- escritórios de produção na Itália, Turquia, Romênia e China
- verba para marketing em torno de 3% (ou £6.7 bilhões!)
- 60 designers de estampas
- 20 técnicos em impressão
- 100 designers (geral)
- 1.500 lojas
- 30 países
Como a marca se desenvolveu durante a sua longa carreira?
Criamos coleções em times e temos escritórios que obedecem o nosso ciclo de produção e controlam a qualidade. Podemos criar um croqui em Estolcomo, a estampa em outro local e mandar para um escritório via Internet. Depois tudo vai para o fornecedor, que cria a peça e depois nos manda de volta. Daí, dependendo, fazemos modificações e mandamos a nova peça de volta. Mas se uma peça for muito difícil, fazemos todo o processo em um só lugar. Nosso planejamento é bem adiantado: pensamos na coleção um ano antes. E se algo está fazendo um mega sucesso nas passarelas, podemos torná-lo um sucesso em nossas lojas. Nossa sorte é que, se uma peça está vendendo absurdamente bem, podemos comprar mais na mesma hora. Nós reagimos aos consumidores com muita rapidez. Todos os dias chegam novos estoques!
O que torna a H&M diferente de outras lojas fashion e acessíveis?
Acho que é ter coleções para homens e mulheres (incluindo maternidade, crianças e bebês). Também tentamos oferecer qualidade por pouco dinheiro e somos muito bem orientados pelos nossos consumidores – nós conseguimos ver o que eles querem pelas estatísticas de vendas. Quando se lida com grandes volumes de roupa, é muito importante saber o que as pessoas querem. Do contrário, perde-se rios de dinheiro e todos saem perdendo. Nossa solução: compramos grandes quantidades do que sabemos que todos irão amar, e poucas do que não temos certeza.
Como vocês mantém os preços tão baixos?
Temos muita experiência: compramos um volume enorme, trabalhamos com poucos intermediários, compramos os produtos certos dos mercados certos, temos uma distribuição eficiente e somos donos de 100% de nossas lojas.
Vocês seguem alguma filosofia para criar uma coleção super interessante?
Nós geralmente olhamos os bestsellers da coleção passada e tentamos pensar em COMO podemos produzir a peça novamente, só que de outra forma. É como se fosse uma garantia de que ganharemos dinheiro em cima da peça. Normalmente criamos temas em torno de cada coleção: para criar a de verão 2009, por exemplo, pensamos em esportes, artes e aspectos românticos dos anos 70. Toda a equipe se inspira nos temas escolhidos e aplica em seu departamento. Também temos 15 designers que decidem as cores de determinada estação. Nós não temos “caçadores de tendências” – nós somos eles! Não acho que seja possível se inspirar em alguém que não seja você mesmo.

Mega/super/ultra loja em Harajuku, Tóquio. É um prédio EMORME, acreditem
Onde vocês buscam inspiração?
Revistas, livros, exibições, ruas, boutiques, design de interiores, mercados vintage, viagens, cultura contemporânea, feiras de móveis… É sempre legal observar os tecidos no começo da estação e ver qual caminho ela irá trilhar. Celebridades, TV e música também são muito importantes: se você não for um fashionista, pode até não saber quem criou qual peça, mas com certeza sabe quem está usando o quê. Também tentamos ver o que as pessoas querem e precisam naquele momento, além de criar novas coisas baseadas em “old bestsellers”. Acho que é assim que todos estão trabalhando.
Quais são os melhores projetos em que trabalhou?
As coleções que desenvolvemos com Karl Largerfeld (Chanel) e Rei Kawakubo (Commes des Garçons) foram muito excitantes! Também amei lançar a H&M em países como França, Japão e alguns da América do Norte. Nos adaptamos de acordo com o país: no Japão, por exemplo, focamos em tamanhos bem pequenos e na parte jovem/cheias de tendências da coleção. Adorei trabalhar em grandes desfiles como o que fizemos em New York (2005) e Dalhalla, Suécia (2001).
Como surgiram essas grandes colaborações com designers como Karl Largerfeld, Stella McCartney e Viktor & Rolf?
Nosso departamento de marketing queria uma mudança. Em novembro costumávamos ter uma campanha de roupa de baixo e surgiu essa idéia de firmar grandes parcerias. Pensamos que seria ótimo começar com um ícone fashion como o Karl Largerfeld, e já que alguém da equipe o conhecia a proposta/resposta foi rápida – ele se interessou na hora! Ficou combinado que teríamos designs típicos de Karl, e assim foi feito. Stella começou com vestidos, mas pedimos que incluisse sua famosa alfaiataria. Nossa coleção com o Roberto Cavalli, em Estolcomo, esgotou em duas horas! Essas parcerias são ótimas porque colaboram com nossa imagem, faz com que mais pessoas nos visitem e geram muita mídia. Os designers em si também adoram porque finalmente têm a chance de atingir um GRANDE público.
E como vocês decidem QUAIS designers irão chamar?
Tentamos escolher designers que sejam diferentes de todos os ateriores. Tínhamos o ícone (Karl) e logo depois procuramos uma pessoa mais jovem (Stella). Por querermos uma influência francesa/alta costura, acabamos com Viktor & Rolf. Cavalli foi bacana porque ele é 100% glamour e Rei Kawakubo é mais vanguarda.
Muitas marcas de high street são acusadas de copiar grandes desfiles. Como vocês adaptam as tendências para o mercado de massa?
Somos uma empresa tão grande que realmente não podemos copiar nada. Perderíamos muito dinheiro com direitos autorais e teríamos de tirar as peças mais relevantes das prateleiras e tal. Se a moda agora são estampas florais, não iremos copiar uma da Prada – faremos a nossa própria. Mas silhuetas, por exemplo, já tiveram todas as suas possibilidades esgotadas e não precisam de direitos autorais. Já sofremos esse tipo de acusação, mas foi quando compramos óculos escuros de um fornecedor que havia “roubado” um design.

Fall/Winter 2010 com a top Daria Werbowy. Todas as lojas têm painéis ENORMES com essas fotos!














